Liberdade

25 01 2012

Ouvir adultos a defenderem o regresso à ditadura faz-me uma impressão maior do que sei lá o quê. É que nem têm consciência de que em democracia têm a liberdade de dizer tal disparate sem correrem o risco de serem castigados. Quando os adultos são meus colegas professores, confesso que me arrepio mais porque acredito que, mais do que conhecimentos, nós transmitimos valores e atitudes.

Abel Manta, Muito prazer em conhecer vocelências, MFA – Campanha de dinamização cultural, 1974.





Boas notícias

22 01 2012

Tenho uma notícia muito boa para partilhar com todo o mundo, é que a segunda gatinha já tem dono. Ficou com uma menina que adora gatos e que tem um quintal enorme para ela brincar à vontade.

A outra vertente desta notícia é que a Micas, agora que não tem a irmã para brincar, anda mais sociável comigo e sobretudo com a Paloma.
Esta manhã saiu da gaveta-cama assim que sentiu as patinhas da Paloma no corredor e deu-lhe  montes de marradinhas. Já se está mesmo a ver que a Paloma toda dengosa respondeu com lambidelas.
Tão lindo.

Infelizmente não posso ilustrar com fotos porque a minha câmara avariou.
Mas também, com a preguiça com que ando, provavelmente só carregava as fotos para o PC lá para as calendas ;)





Dos gatos

18 01 2012

É impressionante a quantidade de coisas que eu não sabia sobre gatos antes de vir aqui para a Lezíria.

Vejamos.

As gavetas são a melhor caminha. Imensamente melhor do que o caixotinho da Paloma.

O cesto dos papeis é o melhor armazém de brinquedos. Se os papeis estiverem amachucados, a brincadeira será mil vezes melhor.

As mesas, qualquer mesa, são um verdadeiro parque de diversões. Claro que a secretária é mais interessante porque tem coisas que rebolam.

E a melhor hora para ir para junto das pessoas, será de madrugada, quando todos estiverem a dormir. Correrias pela cama por cima dos corpos adormecidos é o supra-sumo do divertimento.

Ah! E o ódio a que se toque em certas partes dos corpitos? E cada uma tem o seu ponto sensível, ainda por cima. E nada de cortar unhas. E nada de fazer festinhas quando não apetece.

Menos mal, ainda não têm tamanho para brincadeiras radicais, como o Bijagó do VanDog ;)

[NOTA: Eu tenho consciência de que esta minha aprendizagem está em construção...........]





RACHMANINOV

5 01 2012

Acabei de ouvir a sugestão que R. Vieira Nery fez no seu FB e não me arrependi de seguir o link:

Vladimir Horowitz e Mstislav Rostropovitch no concerto comemorativo dos 75 anos do Carnegie Hall, em 1976, tocam a Sonata para Violoncelo, Op. 19, 3.º movimento – Andante.





Novo acordo ortográfico

4 01 2012

Hoje assisti a uma palestra sobre o NAO. Que sensaboria. O NAO, porque a palestra foi interessante. Estava a ouvir as colegas e pensar no contratempo de algumas das novas grafias para as minhas aulas. Já não posso dizer aos alunos para tirarem o sentido dos conceitos observando a maneira como a palavra está escrita.

E depois, quando se pensa em alguns argumentos favoráveis ao NAO, como o Carolina Michaëlis, de que é mais fácil ensinar os alunos e os professores têm de assinalar menos erros… Vou ali e já venho!

Compreendo muito melhor o argumento estético de Teixeira de Pascoaes:

«Na palavra lagryma, [...] a forma do y é lacrymal; estabelece  [...] a harmonia entre a sua expressão gráfica ou plástica e a sua expressão psicológica; substituir-lhe o y pelo i é ofender as regras da Estética.
Na palavra abysmo, é a forma do y que lhe dá profundidade, escuridão, mistério… Escrevê-la com i latino é fechar a boca do abismo, é transformá-lo numa superfície banal».
Teixeira de Pascoaes, «A fisionomia das palavras», in A Águia, ano 1, I.ª série, n.º 5 (1 Fevereiro 1911), pp. 7-8.

Mas mau, mesmo mau, é resolver palavras cruzadas que adoptem o NAO. Já experimentaram?

Há pior? Sim! Tropeçar nas palavras quando estou a ler um livro e ficar parada a tentar perceber o que está escrito. Lá vão 2/3 do prazer da leitura.

Daqui a um ano veremos como vai a minha adaptação. Por enquanto a minha regra tem sido, eu escrevo; os alunos corrigem-me; o corrector ortográfico corrige-me.

Por falar nisso, sabiam que, se usarem o MOffice 2007 ou posterior, não precisam de instalar o Lince? Basta fazer uma rápida actualização aqui. Provavelmente já toda a gente sabia. Não importa, pode ser informação útil a alguém distraído como eu.





Camille Saint-Saëns

2 01 2012

Esta música é tão divertida. Camille Saint-Saens, Le carnaval des animaux.

1. No. 1. Introduction & Royal March of the Lion (strings and two pianos). The introduction begins with the pianos playing a bold tremolo, under which the strings enter with a stately theme (this section reminds one of the agitation one experiences when something stupendous is about to happen, in this situation, the appearance of a circus parade, perhaps). The pianos play a pair of scales going in opposite directions to conclude the first part of the movement. The pianos then introduce a march theme that they carry through most of the rest of the introduction. The strings provide the melody, with the pianos occasionally taking low runs of octaves or high ostinatos suggesting the roars of the lions. The movement ends with a fortissimo note from all the instruments used in this movement.

2. No. 2. Hens & Roosters (strings without double-bass, two pianos and clarinet). This movement is centered around a pecking theme played in the pianos and strings, quite reminiscent of chickens pecking at grain. The clarinet plays small solos above the rest of the players at intervals. In the middle of the section, you can almost see a rooster marching along the rows of hens who nervously run around him.

3. No. 3. Wild Asses (two pianos). The animals depicted here are quite obviously running, an image induced by the constant, feverishly fast up-and-down motion of both pianos playing scales in octaves.

4. No. 4. Tortoises (strings and piano). A slightly satirical movement which opens with a piano playing a pulsing triplet figure in the higher register. The strings then play a maddeningly slow (so slow, in fact, that it begins to sound like a dramatic lament) rendition of the famous “Can-Can” from Offenbach’s “Orpheus”.

5. No. 5. The Elephant (double-bass and piano). This section is marked Allegro Pomposo, the perfect caricature for an elephant. The piano plays a waltz-like triplet figure while the bass hums the melody beneath it. Like the previous movement, this is also a musical joke: the thematic material is taken from Felix Mendelssohn’s “Incidental Music to A Midsummer Night’s Dream” and Hector Berlioz’s “Dance of the Silphs”. The two themes were both originally written for high, lighter-toned instruments (flute and various other woodwinds, and violin, accordingly); the joke is that Saint-Saens moves this to the lowest and heaviest-sounding instrument in the orchestra, the double bass.

6. No. 6. The Kangaroos (two pianos). The main figure here is a pattern of “hopping” fifths preceded by grace notes.

7. No. 7. The Aquarium (strings without double-bass, two pianos, flute and glass harmonica). The melody is played by the flute, backed by the strings, on top of tumultuous, glissando like runs in the piano. The first piano plays a descending ten-on-one ostinato, while the second plays a six-on-one. These figures, plus the occasional glissando from the harmonica are evocative of a peaceful, dimly-lit aquarium.





2012

1 01 2012

A todos aqueles que por aqui passarem desejo um bom 2012 que certamente não será um ano tão mau como o pintam :)





Lisa Gerrard — Sanvean

21 12 2011

Detesto quando isto me acontece: ouvir uma música e não me lembrar de onde a conheço.

Mas soube-me bem ouvir esta melodia hoje, depois das atribuladas reuniões de avaliação, e imaginar que os próximos dias vão ser simples.

Para ouvir Lisa Gerrard, por favor carregue na imagem ou aqui.





Êl cantá*

18 12 2011

*Ela cantou, crioulo de São Vicente.

Ela encantou-me tantas vezes quantas as que a ouvi. E vai continuar a encantar-me sempre que a ouvir. Porque ela cantou e cantará cá em casa sempre que eu precisar de ouvir uma voz quente que anima mesmo que as melodias sejam melancólicas.

E gosto particularmente desta colaboração com Salif Keita:

Un tem fé, si un tem fê
No também viver sem medo e confians
Num era mais bisonho
Olhar de nos criança ta a tornar brilhar de inocença
E na mente esvitayada
Temporal talvez ta mainar
Na brandura y calmaria
Nosso amor ta vins cansando
De ser luta e resitencia
Pa sobreviver nas tormenta
Na brandura y calmaria
Nosso amor ta vins cansando
De ser luta e resitencia
Pa sobreviver nas tormenta.





ATP Graciosa

11 12 2011

Era sábado, 11 de Dezembro de 1999. Estava em S. Roque do Pico. Da sala onde participava num conselho de turma de avaliação, tinha vista privilegiada para o canal entre o Pico e S. Jorge. O tempo estava muito mau. Temia o cancelamento da viagem para Lisboa na semana seguinte.
A certa altura, uma colega comentou “coitados daqueles, grande pancadaria”. Todos olhámos preocupados ao ver o ATP que parecia uma pena sem rumo sobre o canal. Só quando cheguei a casa é que percebi que a desgraça tinha acontecido. O avião que desaparecera dos radares. O avião que embateu contra o Pico da Esperança. Sem sobreviventes.

Era o ATP Graciosa. O avião onde tinha voado mais vezes nos anos anteriores. Era o avião que me tinha transportado na primeira viagem entre a Terceira e a Graciosa. E as pessoas. Até arrepia pensar nas pessoas que lá iam e das quais apenas conhecia o pessoal de cabina.

Desde esse dia, há 12 anos, que ganhei pavor de voar.

Continuei no cá e lá. Fiz viagens terríficas, em especial inter-ilhas. Fiz viagens lindíssimas sobre as ilhas, sobre o mar, sobre as nuvens, ao pôr do sol, ao nascer do sol, de noite. “You name it”.
Mas nunca mais fiz uma viagem pacífica. De cada vez que entrava num avião tinha a certeza de que era a última viagem e que algo terrível iria acontecer.

Estou a escrever este texto pela memória dessas pessoas. Mas também por mim. Preciso de exorcizar este medo irracional e voltar a entrar num avião. Voltar a ver mais mundo.





se uma gaivota

27 11 2011

E o fado é considerado património imaterial da humanidade. Um rótulo? Mas um rótulo merecido.

Não é por acaso que escolho Gaivota para ilustrar este texto. A primeira vez que tomei consciência real de quão difícil é estar longe de casa, foi na ilha Graciosa, a ouvir  alguém cantar este fado ao piano. Preciosas memórias minhas.





Dia de vet

26 11 2011

Há cerca de um mês, mais uma gata que apareceu no quintal. Foi no primeiro dia das chuvas de Outono. Cá para mim foi a mãe-gata que a veio cá esconder. Era uma pisquinha doentíssima que me cabia numa mão. Agora está uma matulona arisca e ronronadora.

Como de costume, a Paloma é a mãe adoptiva.

Mas a mãe biológica não a abandonou já que vai rondando lá de cima do muro para se assegurar de que tudo corre bem.

Hoje foi dia de veterinário. Tenho pena de não ter a fotografia dela quando lá fomos a primeira vez, uma nica de gata que mal se via. E agora, o improvisado cesto de transporte tem o tamanho à justa.








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