Hoje assisti a uma palestra sobre o NAO. Que sensaboria. O NAO, porque a palestra foi interessante. Estava a ouvir as colegas e pensar no contratempo de algumas das novas grafias para as minhas aulas. Já não posso dizer aos alunos para tirarem o sentido dos conceitos observando a maneira como a palavra está escrita.
E depois, quando se pensa em alguns argumentos favoráveis ao NAO, como o Carolina Michaëlis, de que é mais fácil ensinar os alunos e os professores têm de assinalar menos erros… Vou ali e já venho!
Compreendo muito melhor o argumento estético de Teixeira de Pascoaes:
«Na palavra lagryma, [...] a forma do y é lacrymal; estabelece [...] a harmonia entre a sua expressão gráfica ou plástica e a sua expressão psicológica; substituir-lhe o y pelo i é ofender as regras da Estética.
Na palavra abysmo, é a forma do y que lhe dá profundidade, escuridão, mistério… Escrevê-la com i latino é fechar a boca do abismo, é transformá-lo numa superfície banal».
Teixeira de Pascoaes, «A fisionomia das palavras», in A Águia, ano 1, I.ª série, n.º 5 (1 Fevereiro 1911), pp. 7-8.
Mas mau, mesmo mau, é resolver palavras cruzadas que adoptem o NAO. Já experimentaram?
Há pior? Sim! Tropeçar nas palavras quando estou a ler um livro e ficar parada a tentar perceber o que está escrito. Lá vão 2/3 do prazer da leitura.
Daqui a um ano veremos como vai a minha adaptação. Por enquanto a minha regra tem sido, eu escrevo; os alunos corrigem-me; o corrector ortográfico corrige-me.
Por falar nisso, sabiam que, se usarem o MOffice 2007 ou posterior, não precisam de instalar o Lince? Basta fazer uma rápida actualização aqui. Provavelmente já toda a gente sabia. Não importa, pode ser informação útil a alguém distraído como eu.











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