É verdade?

17 09 2007

As primeiras aulas desta semana foram um bombardeamento de perguntas.

“É verdade que este ano vamos falar das Guerras Mundiais?”
“É verdade que este o Hitler mandou matar muitos judeus?”
E a minha preferida: “É verdade que o Salazar foi um grande português?”
Uiiii arrepio na espinha e resposta irónica: “não sei, mas acho que ele deveria andar na média do metro e setenta…”
“A sério! A professora não acha que ele foi bom para Portugal porque conseguiu que não entrássemos na Guerra?”
“Eu não acho nada! Nós vamos estudar o assunto e depois vocês me dirão o que pensam.”
“É verdade que é melhor ser só um a mandar?”
“Porque dizes isso?!”
“Porque no tempo do Salazar havia menos crimes e os bandidos eram castigados.”

Considerações que posso fazer:
– Os alunos acharam natural fazer todas estas (e outras) perguntas. O que é bom: para eles a liberdade de expressão é tão natural como o ar que respiram ou o telemóvel.
– Os alunos pareceram considerar-me a senhora da verdade, a que pode legitimar as ideias que têm nos ouvidos desde sempre. O que é mau: o espírito crítico destes adolescentes tem tanto por onde crescer!

Em vez de paz e sossego meto-me nestes debates sem saber muito bem como e quem os começa. Acho que este ano vai ser um grande desafio.

Depois de ver o post da Gitas com o Cat Steavnes, lembrei-me de ilustrar este “É verdade?” com o Leonard Cohen, Waiting For The Miracle

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14 responses

17 09 2007
gitas

Perguntas difíceis , mas acho grave dizerem que o Salazar é que era bom.
Boa música 🙂

17 09 2007
noche

posso comentar?

17 09 2007
Lalage

Pois é, Gitas.
Noche sem disfarces!!! Que fixe. Comenta lá…

17 09 2007
João Paulo

Por favor explica aos petizes que o Salazar foi um ditador mesquinho reponsável pelo periodo de maior obscurantismo da História de Portugal. Conto contigo.

17 09 2007
Ludovicus Rex

Estou a ver que o desafio vai ser mesmo grande… Espero que consigas desmistificar algumas ideias dos ‘teens’
Kiss

18 09 2007
Ka

Ahaha, estás feita!! Vai ser um ano cheio de desafios!
Vê o lado positivo: pelo menos estão cheios de interesse e motivados!

18 09 2007
Victor Nogueira

Viva
Deixei por engano comentários no post do doce que não amarga. Por causa da n/ conversa sobre as vilas andei a pesquisar na ner. Os brasileiros têm montes de artigos e de esudos, dos portugueses só encontrei aquilo e nalguns casos só porque conheço Lisboa e procureki por palavras chave. Claro que se fosse ao Porto teria de procurar por «ilhas». Mas eu tinha ideia que a Graça fora um bairro de gente da alta e afinal há ou havia lá muitas vilas operárias.

Bjo
VM

19 09 2007
Noeli

O homofóbico do Aboim em Ascenção está a falar de adopção… claro… e muito bem… cada vez mais me irritam estes “fazedores de opinião” que pensam sobre tudo, sem pensar em nada…
O que me faz lembrar que, segundo a minha mãe, no tempo de Salazar não se podia pensar em nada…
Em que é que ficamos?
Já me decidi… fico com os “fazedores de opinião” e tapo os ouvidos!

Bom ano zé!
bjs, noélia

19 09 2007
Noeli

Onde é que andam os nossos postalinhos…

Bjs, noélia

20 09 2007
Lalage

João e Ludovicus, eu vou tentar. prometo.

Ka, é verdade, de falta de interesse dos alunos não me queixo.

Victor, na Graça da alta só a vista, não as pessoas. É verdade que ultimamente tem começado a estar na moda, mas continua a ser um bairro de gente simples.

Noélia, tenho andado com uns problemas técnicos e ainda não consegui configurar o scanner… é por isso que a actualização do flickr está atrasadíssima. No fim de semana já devo ter os vossos postais publicados, nem que tenha de ir ao Porto com o PC e o scanner às costas.
Quanto ao teu primeiro comentário, liberdade de pensamento, já!

22 09 2007
Agnès

Podes sempre contar-lhes porque é que as espátulas ou rapa-tudos ficaram popularmente conhecidas como salazares. Ou falar das sopas de farinha. Ou da mortalidade infantil. Ou do Tarrafal. Ou, muito simplesmente, da cadeira. Que raio de ditador ranhoso cai de uma cadeira!? Já não bastavam as galinhas em São Bento e as meias rotas?

26 09 2007
Alena

Estudantes precisam mais é pensar. Legal eles perguntarem, bom respirarem a curiosidade. O desafio é enorme em sala. Creio que dê conta… 😉 pisc

26 09 2007
Alena

Ah, queria te mandar um livrinho que escrevi na faculdade sobre gêneros textuais. Podes me dar teu endereço?

30 09 2007
Lalage

Agnès, estava a pensar fazer qualquer coisa desse género na altura. Vo pedir-lhes para falarem com pessoas que viveram esses tempos de ditadura e terem testemunhos directos. Se for eu a falar não terá o mesmo impacto.
Tenho a cabeça cheia de projectos para este no, esperemos que consiga pôr em prática alguns.

Que fixe, Alena! Fica prometido.

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