Balaustrada

1 12 2013

Gosto muito que os alunos coloquem perguntas desafiantes, daquelas que nos obrigam todos a partir à procura de uma resposta. Confesso que gosto particularmente quando sou eu a primeira a encontrar uma resposta num livro. É uma forma de lhes demonstrar que, por muito eficaz que seja pesquisar na Internet, os livros não deixam de ser um recurso muito fiável.

Desta vez a pergunta foi: “continua a chamar-se balaustrada se não tiver balaústre?” A resposta foi encontrada no Dicionário de Termos de Arte e Arquitectura:
Balaustrada

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Futuro

13 11 2013

Numa aula de 8.º ano.

Diz um aluno:
– Quem me dera ter uma máquina do tempo para ir ao passado dizer aos portugueses para aproveitarem melhor as riquezas que vinham do Oriente.

Responde-lhe outro:
– Mas tu podes mudar o futuro e dizer aos portugueses para não cometerem os mesmos erros.

Abro o feedly de dou de caras com este cartoon:
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Isto anda tudo ligado.





Gatos

28 05 2013

Na aula de ontem à noite o tema foi arte na segunda metade do século XX. Lá estava eu a despertar reações cada vez mais negativas a cada obra que apresentava: “mas isso é arte?”, “mas isso é mesmo arte!?!”

Uma canseira.

Até que um dos formandos me pergunta se eu gosto assim tanto de gatos. Surpreendida não percebo onde é que ele foi buscar a ideia. Género, fui apanhada pois ando mesmo fascinada por gatos, não é? Mas como é que ele sabia?! “A professora só mostra quadros com gatos!”

O inconsciente de uma pessoa é uma coisa tramada.

Jean Dubuffet, Chat Furieux – Angry Cat | lithografia, 1953 | MoMA. 

 





Chatice

21 11 2012

Faz-me confusão, a sério que faz. Como é possível estar horas seguidas, dias inteiros, a vida toda, enfim, embrenhado em jogos. E depois achar que conviver com os colegas, aprender coisas novas por exemplo nas aulas é tudo  uma chatice, “tal seca”, diz-se agora. Se a alternativa às aulas fosse passear, ir ver o mar, visitar uma exposição, ler um livro…. compreenderia.





Outra vez os exames

19 06 2012

Ontem foi um dia longo, intenso, cansativo. Enquanto uns alunos resolviam a prova de Português, outros tiravam as últimas dúvidas sobre História da Cultura e das Artes. E eu ali estava, mal dormida, indisposta, a viver as ansiedades de uns e de outros como se fossem as minhas, sabendo que já não há nada que eu possa fazer.
Duro, é duro sentir a “angústia do professor antes do exame”, como tão bem explicou Ivone Costa no Delito de Opinião.


Gosto muito destes desenhos de Marc Johns ©.

E hoje… nova dose. Até ao final da semana não há descanso.





fim de ciclo

8 06 2012
Mais um ciclo de três anos que chega ao fim. E sinto-me… Como sempre nestas alturas…  Sinto-me… aiiiiii… Digo-o em francês porque soa menos triste: “C’est aujourd’hui… c’est à la fois snif et joie-bonheur…”***
Desta vez são apenas os alunos que partem. Eu por aqui ficarei à espera com esta certeza suave de que outro Setembro virá trazendo uma nova vaga de adolescentes mais ou menos interessados, mais ou menos interessantes, decerto marcantes.
***Roubei a frase à Mayana Itoïz, Pataplume. O relógio é de Alexander Shoukas.




bullying

12 03 2012

Na aula das oito e meia, uma aluna entra na sala a chorar desalmadamente.
– O que se passa? Não preferes entrar mais tarde?
– Não. Buááááá.
OK. Lá tentei criar um ambiente de trabalho com todos, eu incluída, distraídos pelo choro da miúda.

Só dias depois percebi o que se passava: ela zangou-se com a parceira de carteira e ficou muito nervosa por ter de se sentar ao seu lado.
«- A professora sabe? Ela anda a fazer bullying em cima de mim!
– A sério?
– Ela vai contar às outras tudo o que eu lhe digo.»

Santa paciência para lidar com adolescentes. Bom, o que vale é que, se eles acham que zaragatas são bullying, é porque nunca o sentiram de verdade.