The King of the Fairies

8 12 2013

Alan Stivell/King of the Fairies, Suite Irlandesa. Esta melodia é uma viagem no tempo. Para mim, claro. Lembro-me de ouvir isto na TV, naquele tempo em que a RTP só passava “enlatados”. Ficou na memória. Depois o Carlos Manuel trouxe de Paris um disco dos Tannahill Weavers. Gostámos, mas continuávamos a achar que se calhar não era a mesma coisa. E realmente não era, uns irlandeses e os outros escoceses.
E agora a passear pelo Tumblr… tau. cá está. é mesmo isto. pena o CM não estar para recordarmos juntos.

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A memória é o raio

11 06 2013

Gosto muito de castanhas. Assadas de preferência. Não são só as castanhas, bem entendido. São as memórias que as castanhas me permitem reviver. Lisboa. A infância. Aquela simplicidade de que não tínhamos consciência. Tudo parecia complicado nesses dias. Intenso. Assustador.

A memória com castanhas mais antiga, e mais forte,  tem o Carlos Manuel como protagonista. Claro, tinha que ser o Carlos Manuel. Só ele é que tinha coragem para transgredir uma e outra e outra vez.

Um dia resolveu ir até à Baixa comprar-nos castanhas. Uma delícia. O pior foi o dia seguinte… a fotografia dele a comprar castanhas apareceu na primeira página de um jornal diário. Na escola ele foi o herói do dia. No regresso a casa íamos cheios de medo e de esperança que os nossos pais não vissem o jornal. Mas viram.

Ainda recordo o aperto no coração quando vi a mãe chegar a casa com o jornal na mão. Surpresa! Ela estava sorridente!

Eu não disse que eram dias simples?

Tenho muitas saudades do Carlos Manuel.

eduardo gageiro, bairro alto (lisboa: 1969)
eduardo gageiro, bairro alto (lisboa: 1969)





Datas

30 01 2012

Acabam os feriados. Quatro a quatro que é para ser mais rápido. E as datas significativas vão ficando à escolha de cada um. Nas famílias chama-se a atenção para uns dias que os adultos achem importantes. Os professores destacarão outros dias. E por aí fora.
Quem sabe? Pode até pôr-se em risco a própria unidade nacional ao esquecermos alguns marcos importantes da construção da nossa identidade como nação. E isso em nome de um subjetivo aumento da produtividade.
Uma coisa é certa, é um mundo novo este em que vivemos, em que as fronteiras nacionais e a noção de soberania têm significados diferentes daqueles que eu aprendi a dar-lhes.
Adaptar-nos-emos.
E, lá por não ser feriado, amanhã não devemos esquecer de recordar o 31 de janeiro. Passaram 121 anos.





Êl cantá*

18 12 2011

*Ela cantou, crioulo de São Vicente.

Ela encantou-me tantas vezes quantas as que a ouvi. E vai continuar a encantar-me sempre que a ouvir. Porque ela cantou e cantará cá em casa sempre que eu precisar de ouvir uma voz quente que anima mesmo que as melodias sejam melancólicas.

E gosto particularmente desta colaboração com Salif Keita:

Un tem fé, si un tem fê
No também viver sem medo e confians
Num era mais bisonho
Olhar de nos criança ta a tornar brilhar de inocença
E na mente esvitayada
Temporal talvez ta mainar
Na brandura y calmaria
Nosso amor ta vins cansando
De ser luta e resitencia
Pa sobreviver nas tormenta
Na brandura y calmaria
Nosso amor ta vins cansando
De ser luta e resitencia
Pa sobreviver nas tormenta.





ATP Graciosa

11 12 2011

Era sábado, 11 de Dezembro de 1999. Estava em S. Roque do Pico. Da sala onde participava num conselho de turma de avaliação, tinha vista privilegiada para o canal entre o Pico e S. Jorge. O tempo estava muito mau. Temia o cancelamento da viagem para Lisboa na semana seguinte.
A certa altura, uma colega comentou “coitados daqueles, grande pancadaria”. Todos olhámos preocupados ao ver o ATP que parecia uma pena sem rumo sobre o canal. Só quando cheguei a casa é que percebi que a desgraça tinha acontecido. O avião que desaparecera dos radares. O avião que embateu contra o Pico da Esperança. Sem sobreviventes.

Era o ATP Graciosa. O avião onde tinha voado mais vezes nos anos anteriores. Era o avião que me tinha transportado na primeira viagem entre a Terceira e a Graciosa. E as pessoas. Até arrepia pensar nas pessoas que lá iam e das quais apenas conhecia o pessoal de cabina.

Desde esse dia, há 12 anos, que ganhei pavor de voar.

Continuei no cá e lá. Fiz viagens terríficas, em especial inter-ilhas. Fiz viagens lindíssimas sobre as ilhas, sobre o mar, sobre as nuvens, ao pôr do sol, ao nascer do sol, de noite. “You name it”.
Mas nunca mais fiz uma viagem pacífica. De cada vez que entrava num avião tinha a certeza de que era a última viagem e que algo terrível iria acontecer.

Estou a escrever este texto pela memória dessas pessoas. Mas também por mim. Preciso de exorcizar este medo irracional e voltar a entrar num avião. Voltar a ver mais mundo.





Não cura mas alivia

30 09 2011

Quando estou muito triste oiço Bach, Suite n.º 2 BWV 1067. É uma opção antiga feita por razões irracionais.

Nestes dias tenho ouvido este disco em loop.

1. Abertura
2. Rondeau
3. Sarabande 
4.  Bourrée 
5. Polonaise
6. Menuet
7. Badinerie





gong

18 07 2011

Lembro-me de estar no Royal Cine com os amigos todos ao molho. Uma algazarra de fugir. Lembro-me de adorar o momento em que aparecia o gongo. Significava que a confusão tinha de acabar e o Tarzan ía começar. A partir deste momento parecia que a vida parava na sala e era só eu e o ecran. Difícil de repetir essa experiência nos dias que correm.